O Futuro do Brasil

December 4, 2015

Agora é oficial: a presidenta Dilma Rousseff terá um processo de impeachment contra si e seu mandato iniciado pela câmara dos deputados. Com uma economia em uma recessão que não encontra fundo do poço, uma base política fraturada e praticamente sem apoio popular, a presidente corre risco real e perca catastrófica de capital político. 

É importante saber realisticamente quais são as consequências de seu impedimento. Aqui analiso 4 cenários:

 

1) Ela é impedida.

Caso a oposição consiga uma base suficiente no Congresso, a presidenta terá de entregar o cargo por 180 dias ao vice, Michel Temer. Caso ainda assim a proposta passe pelo Senado, a Presidenta se torna oficialmente impedida de exercer a função de Presidente da Republica. 

Com isso, imediatamente será vista uma melhora superficial do humor da nação, devido à baixíssima popularidade da Presidenta no momento. O consumo interno será revigorado brevemente por novas esperanças e o mercado terá uma melhora momentânea. Tudo isso será momentâneo, pois a crise política e econômica ainda estará pesando forte. O novo presidente, de posição mais centrista deverá convergir mais as políticas públicas e apaziguar o congresso. Porém ele terá pouco tempo para fazer esse processo, pois a classe trabalhadora, a CUT e os setores de interesses sociais irão entrar em confronto direto, causando paralizações e ainda mais desestrutura ao país. Parte da classe política exigirá a cassação do novo Presidente também e se a articulação tomar muito tempo, corre-se o risco de a situação política se agravar ainda mais e afundar o novo presidente ainda mais. Caso essa agravação aconteça, o país se torna ainda mais desgovernado, Dilma se torna mártir, o PT começa uma campanha de vitimização e os novos problemas advindos do processo de impedimento acumulam força para a volta do presidente Lula em 2018. No final de contas, a saída de Dilma pode fortalecer Lula mais do que muitos pensam.

 

2) A chapa inteira é impedida

Caso o processo vire uma bola de neve e toda a chapa governista seja impedida, o Brasil pode entrar em um processo de paralisia total. Eleições emergenciais terão de ser convocadas e no meio tempo o poder executivo (sendo liderado pelo Presidente da Camara, quem quer que seja) terá de adiar basicamente todas as decisões, causando maior perdas na economia e atrasos em decisões urgentes. Mais ainda: Uma chapa governista democraticamente eleita sendo impedida de governar pode trazer grandes problemas para a estabilidade nacional em geral. Estados na região norte e nordeste brasileiras que tiveram um crescimento incrível em investimento, segurança e salários podem entrar em confronto direto com seu projeto de governo sendo tirado do poder à força. Revoltas e ainda mais paralizações podem ocorrer e no nível social que nos encontramos, isso pode levar à um quadro de dificuldades e perda de investimentos e problemas estruturais que levarão à uma década de retrocesso, além de confrontos nacionais e conflito civil. 

 

3) Ela renuncia

Mesmo indo contra tudo que Dilma Rousseff representa, caso ela renuncie ao seu mandato, Michel Temer assume um governo com mais credibilidade e capital político e se torna capaz de começar um processo de reconciliação nacional, buscar de investimento externo e reformas internas. Tudo isso, aliado com a posição centrista do PMDB poderá acalmar ânimos e trazer mais unidade ao país. O PT e aliados, assim como grande parte da população entrará em conflito direto com o governo. O novo presidente então deverá caminhar em ovos.

 

4) Ela sobrevive o processo com mandato. 

A alternativa ainda mais viável. Caso o processo não passe da Camara, Dilma ainda assim perde quase todo seu capital político. Deverá entregar seu poder à Lula e ao PT, rifar o governo cada vez mais e tentar cortar custos o máximo que conseguir sem passar pelo legislativo. Entregará definitivamente um país pior do que pegou. Muito por própria culpa, muito por situações externas. Caso sobreviva, reafirma seu legado simbólico, enfraquece o PT e abre caminho para novas lideranças de centro e centro-direita em 2018. Porém conseguirá manter conquistas, avanços e não levará o país ao caos. 

 

Desdobramento: Caso impedimento aconteça, qualquer ala não esquerdista da política brasileira poderá destruir alguns pilares importantes da política brasileira dos últimos anos. A organização BRICS, por exemplo. Altamente fomentada por Lula e estruturada por Dilma, tem grandes ambições e influencia. Caso uma esfera de poder mais focada nos EUA e UE entre no poder, o Brasil poderá perder sua chance de se tornar uma potência de primeira grandeza para sempre ficar à sombra de grandes superpotências. Será um momento para a historia.

 

Solução

Dilma precisa buscar um pacto nacional, serio. Usar os meios de comunicação de massa e pendurar a arrogância na porta. Falar de peito aberto, se desculpar pelos erros cometidos e mostrar a realidade dos fatos. Fazer um pedido claro e direto à classe política em frente à nação. Além disso, entrar com um processo continuo de recuperação de credibilidade, especialmente com o investidor internacional. Com comunicação passiva e constante e um trabalho para atrair capital (especialmente antes do aumento de juros nos EUA, que pode prejudicar ainda mais o Brasil), comunicando constantemente e mostrando franqueza, vulnerabilidade e compromisso com o Brasil, ela pressionara o Congresso e poderá conseguir com passinhos de bebê, melhorar a situação de si mesma, do seu governo e do País.

 

 

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